Olá a todos,
Apresento um tema que é, naturalmente, bastante controverso mas para o qual gostaria de ter a vossa opinião, tão objectiva quanto possível.
Uma pessoa amiga espanhola, tem um sistema de ensino à distância (baseado em Moodle) para Drupal. Em paralelo fez uma colecção de livros que levam um pouco mais longe o curso e que permitem uma aprendizagem autónoma. O seu mercado é o da língua espanhola e está a fazer uma tradução para inglês dos livros. Perguntou-nos se, a fazer uma versão para a língua portuguesa, deveria seleccionar o pt_PT ou o PT_BR.
Em espanhol têm situações semelhantes à nossa, pois o es_ES difere um pouco das variantes da América do Sul.
Da minha experiência os utilizadores de software, e em particular quem desenvolve aplicações ou websites, prefere a versão original em inglês mesmo às traduções pt_PT. Mas isso não impede que utilizemos um interface ou acompanhemos um livro em pt_BR. Mas como não conheço muitos brasileiros não sei como vêm a questão. Pelo que me apercebo os fóruns brasileiros são muito activos o que leva a que a comunidade local adopte um vocabulário e terminologia próprios. Aqui em Portugal é frequente colocar as questões em fóruns de língua inglesa pois a actividade nos nacionais é muito reduzida (claro que aqui temos o problema da galinha e do ovo...).
Tendo em conta que o mercado potencial no Brasil é pelo menos 15x superior ao Português, se tivessem que optar o que escolheriam?
Um abraço, Victor.

Comments
pt_PT
A resposta é simples e deriva-se de outra questão (essa talvez mais complicada):
Se quiser ganhar dinheiro, então faça a tradução para pt_BR; se quiser agradar à comunidade, então faça em pt_PT.
Já eu seria a última a pessoa a dever ser escolhida para tomar uma decisão dessas.
Passo a explicar:
Não sou grande nacionalista ou patriota, tal como não sou xenófobo nem tenho nada contra o Brasil ou o povo brasileiro (tenho até um bom amigo de lá e alguma família afastada). No entanto, não suporto muitas das atrocidades cometidas contra a língua Portuguesa naquele país, portanto, mesmo que isso significasse perder dinheiro, nunca, jamais eu faria a publicação do livro em pt_BR.
É também por isso que eu não escrevo livros para o mercado Português. :)
Acordo ortográfico
Olá Victor,
Desagrada-me a forma atroz como os brasileiros adaptam os termos forasteiros, lembro da tensão de cisalhamento, que em português é tensão de corte, e que neste caso foram roubar ao francês. Lembro-me do resistor e do capacitor. Cópias directas do inglês. Enfim. Adiante.
Vendo a realidade do mercado eu diria que o teu amigo deveria fazer em Português pós-acordo ortográfico. Assim à partida consegue atingir o maior mercado possível dos falantes de português.
Não que eu seja a favor dessa rendição da especificidade cultural lusa europeia, mas isso não vem ao caso. O acordo ortográfico não é uma coisa cultural, nem tampouco linguística, é uma mera questão de números.
António
Neste momento deve fazer
Neste momento deve fazer seguindo o Acordo Ortográfico, mesmo que isso nos cause engulhos.
"No entanto, não suporto
"No entanto, não suporto muitas das atrocidades cometidas contra a língua Portuguesa naquele país, portanto, mesmo que isso significasse perder dinheiro, nunca, jamais eu faria a publicação do livro em pt_BR."
"Desagrada-me a forma atroz como os brasileiros adaptam os termos forasteiros"
Estava pesquisando sobre Drupal, quando achei esta discussão, lamento pensarem assim, isto que vocês escreveram, não é culpa dos brasileiros, seria impossivel manter o idioma intacto, considerando a distância que nos separa,
atroz é quem pensa desta forma, vocês falam como se fossem superiores a nós, quando quem conhece a verdadeira história da independência do Brasil, sabe da sordidez como agiram os que mandavam por aqui na época, "e eles eram portugueses" não brasileiros... não tenho tanto orgulho assim de nosso país, mas ser tratado como aborígene não me agrada... também não fiquei feliz com o novo acordo ortográfico e vai ser difícil você achar um brasileiro que ficou...
obrigado, e desculpem meu português de aborígene...
cleber120, Sem querer ofender
cleber120,
Sem querer ofender de forma alguma, a culpa é dos brasileiros, sim, tal como é dos portugueses a culpa de, por exemplo, agora existir a palavra "rácio" no nosso dicionário, quando sempre tivemos uma perfeitamente equivalente: proporção. As palavras só ficam na língua se nós lhes dermos uso - e no caso concreto da língua brasileira, há termos que não lembram nem ao diabo e cuja origem é nada mais nada menos do que algo que eu nem sei classificar muito bem. Vejamos:
Podia estar aqui o resto da noite mas quero ir dormir.
Basicamente a regra é: agarra-se no som do inglês e escreve-se a palavra de forma a que, quando lida em brasileiro, soe idêntica. Que forma fantástica de enriquecer o vernáculo... Estão a brincar comigo?! :|
Portanto não se trata de manter a língua inalterada, pois é perfeitamente normal que existam diferenças - estranho seria se não existissem - e contra essas não tenho absolutamente nada. O que me incomoda são coisas como as que referi mais acima, pelas quais até podia ser outra língua que não originária do português, que eu continuaria a ter exactamente a mesma opinião: são coisas sem sentido nenhum, que de certeza que fazem chorar de raiva qualquer etimologista (não tenho a certeza se o termo existe).
E muito menos se trata de rebaixar os brasileiros ou achar que os portugueses são superiores, até porque por cá também se cometem uns crimes bem grandes...
Meus caros, As discussões
Meus caros,
As discussões linguísticas devem servir para aproximar os povos e não para os afastar.
A língua portuguesa é só uma!
A forma de falar, quer na pronúncia, quer na sintaxe varia de zona para zona, e não sei se a diferença será maior entre um brasileiro letrado de São Paulo e um Beirão, por exemplo ou entre um Beirão e Açoreano de uma qualquer fajã de S. Jorge.
Estamos a misturar duas questões, talvez 3, numa só, uma é da questão do acordo ortográfico, tem sobretudo um objectivo, por regras na edição de livros e outros documentos, os interesses económicos dos livreiros do Brasil, são mais poderosos que os portugueses e isso não carece de explicação nesta sociedade, mesmo assim o acordo ortográfico é favorável À grafia portuguesa, e vem abrir uma grande possibilidade de homogeneidade a outras variantes da Língua Portuguesa, nomeadamente de países como Angola, Moçambique, e Cabo Verde e outros territórios onde a presença portuguesa deixou marcas culturais acentuadas.
Outra questão é a dos neologismos, nomeadamente os associados À informática, a variante da língua portuguesa do Brasil, é mais permeável e grafa imediatamente os neologismos, enquanto a portuguesa nem tanto, mas a tendência para usar palavras estrangeiras por não existirem no nosso léxico, demonstra apenas irresponsabilidade dos especialistas, deixo apenas alguns exemplos...
Harware, muito conhecido na informática já existia antes com outro significado, por isso poderia ser usada na nossa língua com a tradução da palavra oriignal, mas não ao invés disso preferimos dizer que não existe tradução...não existia coisa como podia existir signo para a coisa...?
Mais um exemplo...Upload porque não podemos usar "abastecer" ou "fornecer" ou mesmo colocar....
Em relação ao rácio ai não, rácio é uma palavra de etimologia latina e significa proporção...e pode perfeitamente ser usada no mesmo conceito.
Por isso não percebo por que é que com tantos linguistas e académicos nas informáticas, ainda não tiveram vontade, oportunidade, necessidade ou saber para efectuarem uma convenção terminológica sobre o uso de signos portugueses na Informática...já vão tarde e valia muitos milhares de Euros ou de Reais...;)
Abraço
erro crasso
E ai lusitanos como vão.
Bem gostaria de esclarecer que a língua no mundo, qualquer uma, (menos o português de Portugal) é uma coisa viva, que nasce, cresce, se multiplica e se transforma.
Várias línguas são agregadas a outras linguas vivas como por exemplo vem, do grego (biologia), italiano (piano), frances (abajur), arabes (kibe) etc.
Por que vc escrevem objecto como a 500 anos atrás.
para maior esclarecimento segue pequeno dicionário etimológico.
TRAIN LINHA CONTINUA (Trilhos) PARA CARROS ACOPLADOS (Vem do Francês). ohhhh essa pega muito lusitano.
DELETE latim delere (apagar) e passou do francês para o inglês no século 15.
CELULAR do Latim CELLA, “cela, local fechado, área que faz parte de um conjunto”, que veio de CELLARE, “esconder”.
CAPACITOR O termo foi usado pela primeira vez por Alessandro Volta em 1782 (o cara era italiano)
PÓSITRON do grego posi- (forma reduzida de positivo) + -tron (del elétron).
FÓTON – do Grego phos-, “luz”, mais on, aqui com o sentido de “unidade”
Resistor deve ser inglês mesmo. Eu acho.
Mas não chore é que eu cansei de buscar no dicionário português (de Portugal) online o significado das palavras.
Chato é?
Alguma palavra ai, fora o resistor é de origem inglesa?
Só por que vcs dizem resistência ou condensador não significa que sejam palavras de origem portuguesa.
Como exercício de casa para os entendidos em Brasil deixo uma questão.
Procurar as palavras tele e móvel, fax e simile e escrever aqui se são de origem portuguesa.
Caso estas palavras não sejam, prometam nunca mais falar o que não sabem.
Quanto as palavras upload e hardware, nós não vemos problemas em usar a palavra que foi sim, é foi inventada pelos gringos. Como "poltergeister" é alemão.
A maioria das palavras usadas em náutica são portuguesas e os gringos usam elas sem ficar choramingando.
Sitio no Brasil refere-se a uma propriedade rural de área modesta, freqüentemente usada para lazer ou para lavoura.
Ninguém no Brasil visita um sitio na web (olha palavra que eles inventaram ai gente e nem cobram royalties).
Vocês preferem re-inventar uma palavra para dizer que "olha nós somos muito superiores, não inventamos nada mas somos muito muito ..."
Para com isso, a web é coisa gringa eles nomeiam do jeito que quiserem, vocês usam um computador, que acessa a internet, salvam coisa num pendrive, estão num "sitio" de drupal, que é um Content management system, bem no topo desta página esta escrito "Edit comment" e embaixo "save"?
Discordo totalmente do que diz meu caro amigo que somos um país onde os jovens etc e tal.
Amigo o futuro é dos jovens.
As palavras podem mudar mas não o sentido.
Ninguém aqui fala "minha garota amiga" ou "tenho 10 anos de velho".
Falamos minha namorada e tenho 10 anos.
Sim há erros de linguagem, com certeza.
Temos o Batman's Oficina, cujo o dono se chama Manuel.
Temos atachar (palavra horrível, chega a doer o ouvido) para anexar algo ao email (eu só falo anexar) e olha que interessante escrevemos:
online e não on line
email e não e-mail.
Por que?
Evolução guri.
Temos palavras que estão sendo forçadas como Pet ou sale ou ainda off (para desconto).
Isso é ridículo, por que tenta passar um glamour que não existe, de que é mais importante o sales que as vendas.
Normalmente usados em lojas mais caras para dizer que são diferenciadas.
Temos milhares de palavras que ao contrário de muitos povos, podemos dizer que é 100% nossa, da terra.
Guri, pipoca, tietê, caçapava, taubaté, pinda, tapioca, mandioca, caetê, jaca, guará, gibi, guarani, goiaba, milho, iara, cumbuca etc e que usamos no dia a dia. Vocês tem palavras 100% de origem do território português?
Boa noite
A questão é
que há muita confusão, com coisas arrastadas para discussão que nada têm a ver com o assunto.
Ninguém falou em superioridade ou na independência do Brasil, já agora esses mesmos que declararam a independência aí em baixo, foram os mesmos que fugiram a sete pés daqui com o pavor da invasão Bonapartista.
Para mim, para lá dos resistores, capacitores, e outras soluções "práticas". Trata-se de delegar uma coisa tão importante como a língua a um directório burocrático em detrimento de deixar ser o mercado a fazer emergir a solução. As línguas que existem emergiram com a prática, a gramática é uma coisa "colada" à posteriori: por isso tem tantas excepções. Ao contrário das linguagens artificiais, como as de programação, as linguagens naturais são coisas que evoluem com a prática.
Ao capitular perante os interesses dos livreiros brasileiros, os políticos portugueses, tornaram impossível que os livreiros portugueses tentassem competir na base do mérito e da preferência dos consumidores ao proporcionar o melhor produto. Quem perde somos nós como leitores de português e praticantes da língua.
Querer usar como racional para impor este "acordo" que é bom para ter a língua como oficial na ONU é patético e só podia vir da mente de burocratas. Pessoalmente estou-me completamente nas tintas para o que uma qualquer organização burocrática letargicamente inútil como a ONU acha o que é uma língua oficial ou não. E 99.9999% da população pensa assim. Só os políticos se podiam envaidecer quando nos grandes aerópagos burocráticos como a ONU podem falar no vernáculo, ainda que para isso se tenha comprometido os interesses a longo prazo do país que supostamente representam.
Dito isto. Realçar o trabalho da equipa de tradução do Drupal. Podemos perder em termos de números, mas nada nos condena a ter que baixar os braços e aceitar os factos consumados.
Quero adicionar
que mesmo nas linguagens artificiais, os esforços de normalização, têm em conta a prática e adoptam em geral aquilo que o mercado, através da prática acabou por determinar o que é a melhor solução.
Vejamos por exemplo a nova versão do ECMAScript (que o Javascript implementa) ou numa caso ainda mais balcanizado em que a evolução funcionou em função de um curto período de intensa competição, o Common Lisp, que saiu em grande medida da guerra das máquinas Lisp e do surgimento do Scheme.
Não vamos perder a calma...
Caros borfast e perusio,
Primeiramente peço desculpas, por chegar aqui e trazer assuntos irrelevantes ao caso, afirmo que não tive intenção de ofender ninguém.
Concordo plenamente com os dois no que disseram, somente gostaria de explicar um fato, aqui no brasil essas barbáries que cometemos com nosso idioma, se deve apenas a falta de cultura, que infelizmente ainda vai durar muito tempo em nosso país, devido ao descaso das autoridades competentes, somos um país jovem se comparados aos europeus, precisamos de mais 500 anos para adquirir um nível de cultura própria, onde ai sim, poderemos culpar o povo pelo descaso com nosso idioma. Para vocês terem uma idéia, muito próximo de minha cidade encontramos os mais diversos tipos de sotaque, como italiano, alemão, polonês, árabe, japonês entre outros, eu mesmo tenho descendência de italianos, portugueses e espanhóis, acreditem (não precisa chorar). Por isso que lhes digo, é impossivel manter um idioma inalterado desta forma. E digo mais o que está escrito na sua tecla "delete" provavelmente esta escrito delete como em 99% dos teclados existentes no mundo, desse jeito fica difícil ensinar alguém que esta dando seus primeiros passos na informática e lhe pergunta, eu errei aqui onde aperto para apagar?...dai para o DELETAR foi uma questão de tempo, não é mesmo... e de quem é a culpa pelos teclados em nosso pais serem vendidos no idioma inglês?...
Observo ainda que quantidade não significa qualidade, tenho certeza que muitos brasileiros como eu vão escolher um livro pelo seu conteúdo e não pelo seu idioma, seja ele, inglês, pt-BR ou pt-PT, portanto dou-lhes apoio quanto a lutar pelas publicações em pt-PT, nada impede, e inclusive seria muito interessante para nossa integração que um livro traduzido em portugal seja vendido nas livrarias daqui. Nunca cruzem os braços!!!
Externo meu apreço ao povo português pois tenho grande admiração por sua cultura, e pretendo conhecer vosso país um dia.
Enfim, peço desculpas novamente a vocês meus amigos (espero poder chamá-los assim), vamos tentar se manter no assunto que interessa a todos "DRUPAL", certo? e espero que eu possa ser bem-vindo (ou será benvindo? não sei ainda) neste espaço de discussões.
obrigado,
Cleberson de Oliveira Boaro
Bem-vindo
Cleberson. Este tema da tradução e das escolhas feitas é recorrente. É uma questão ligada à identidade de cada um, ainda que a noção de estado nação se esteja a diluir (entendo que vamos voltar muito mais às cidades estado que tantas coisas boas nos trouxeram, mas divago...) ainda somos muito condicionados por ela.
Qualquer questão Drupal, faça favor. Estamos aqui para aprender uns com os outros.
António